• José Anchieta Dantas

Reflexões IV: O Fim dos Tempos

O tempo se acaba com o fim do universo? Antes de qualquer conclusão, vamos discorrer sobre várias análises do tempo.

Primeiro, o que é tempo em nosso planeta? Esse período é a contagem feita em relação a dois fenômenos : a rotação da terra em torno de seu eixo : o dia e a noite, ou seja o nascer do sol e o pôr do sol, formando as semanas e meses; e a translação, o tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor do sol, 360 dias, um ano e décadas, séculos etc, conforme o número de voltas.

Mas devido à rotação, o início do dia e da noite não ocorre igualmente em toda a Terra. No Brasil, por exemplo, quando o sol nasce, no Japão ele se põe e vice versa. Assim, quando termina um dia aqui, lá está começando o seguinte, significando que a contagem do tempo depende da posição geográfica, é uma relação espaço-tempo.

Esta terminologia foi proposta pelo físico teórico germano suíço americano Alberto Einstein ( Astronomia- editor François Fressin, capítulo Espaço e Tempo, 2018, Publifolha Editora Ltda ). Ver também Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking, capítulo 2, Espaço e Tempo, edição digital ).

Imaginemos, por exemplo, 2 pessoas, uma junto a um alto-falante, a outra a uma distância de 100 metros. A primeira ouve o som emitido imediatamente, a segunda, cerca de O,28 segundos depois. Isso porque o som se propaga no ar a uma velocidade em torno de 350 metros por segundo.

Essa velocidade varia, conforme a temperatura e outras condicionantes.

Novamente uma relação espaço- tempo.

E quanto ao sistema solar, em relação aos outros planetas? Vamos citar apenas dois exemplos. Mercúrio, o menor dos planetas do sistema, e o mais próximo do Sol. A sua volta em torno deste se dá em 88 dias terrestres ( Astronomia. Editor François Fressin – capítulo 10, Mercúrio, 2018, Publifolha Editora Ltda). Significa que o ano em Mercúrio é de 88 dias e não de 360 como o nosso.

Já em Júpiter, 5 vezes mais longe do Sol do que a Terra, um ano é de 365 × 11,86 dias terrestres ( idem, Júpiter )

O Sol gira ao redor do centro da Via Láctea a cada 240 milhões de anos terrestres, a uma velocidade de 240 km/s ( Astronomia, capítulo 72, Via-Lactea, editor François Fressin, idem ). Significa que um ano no Sol corresponde a 240 milhões de anos nossos.

Pelos exemplos citados, fica evidente que no universo o tempo não é absoluto, isto é, sua contagem não é igual para todos os corpos. Depende das respectivas posições no espaço. De novo a relação “espaço-tempo”.

Portanto, o tempo que conhecemos, a sua contagem, é variável, não é igual nem na Terra, nem no sistema solar, nem em qualquer outra parte do universo. Depende da relação espaço-tempo.

Essa relação espaço-tempo leva à seguinte indagação : será que essas divergências de tempo significa que o passado de um corpo celeste é o futuro em outro? Por exemplo, em Marte um ano dura 687 dias da Terra, logo essa diferença nos leva a pensar que quando em Marte se passar um ano, na Terra já estaremos em um futuro, 1,91 de um ano na frente.

Se um dia Marte for colonizado por terrestres, quando um colonizador voltar à Terra, digamos três anos depois de sua chegada àquele planeta, encontrará a Terra no futuro, isto é, 5,73 anos na frente : logo o passado de Marte, um ano, é um futuro na Terra.

Podemos dizer ainda que um conhecido dele, do colonizador, que tenha nascido na Terra na mesma data que esse colonizador, quando este voltar à Terra seu conhecido estará 5,73 anos mais velho.

O tempo no universo será extinto com este, pois é uma contagem em função das variáveis espaço e tempo, ambas surgidas com ele, o universo.

Conforme a teoria da Relatividade Geral de Einstein, o espaço-tempo começou com o Big Bang e terminaria com ele.....( Uma Breve História do Tempo – capítulo 8, a Origem e o Destino do Universo. Edição digital 2015 ).

Aliás, São Tomás de Aquino, conforme cita o já mencionado livro “ Uma Breve História do Tempo”, “ O tempo é uma propriedade do Universo criado por Deus e não existia antes”. Existe o tempo permanente, infinito? Claro, a eternidade.

Costumo comparar a eternidade, isto é, uma duração sem início e fim, com uma reta. “A reta é uma figura retilínea que segue em ambas as direções indefinidamente” ( Trigonometria para Leigos, Mary Jane Sterling – capítulo 1 – tradução da segunda edição, Desenhando segmentos, semirretas e retas). Cada segmento de reta, isto é, pedaços da reta, considero como sendo um desígnio de Deus.

Os sucessivos segmentos de reta são o conjunto infinito dos planos de Deus. É como diz o Papa Francisco “ a visão bíblica do tempo e da história não é cíclica e sim linear” ( Devocional com o Papa Francisco, dia 30.12. Edição digital).

A criação do Universo e o seu fim é um dos desígnios de Deus; é um segmento dessa reta.

Essa também é uma das formas de explicar a eternidade: é uma sucessão infinita de projetos divinos e não uma contagem de tempo.

Escrevi sobre a “Eternidade” em Reflexões I, tópico O Material e o Espiritual e em Reflexões II.

21 visualizações
Faça parte da nossa lista de emails

© 2019 Todos os direitos reservador. 

  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon